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Anvisa Investiga Lesões Oculares Associadas a Medicamentos

Redação · 27 de set. de 2026, 19:31
Anvisa Investiga Lesões Oculares Associadas a Medicamentos

Investigação em Curso sobre Lesões Oculares

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em processo de apuração de 13 denúncias relacionadas a possíveis casos de Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica (Noia) em brasileiros que utilizam medicamentos do tipo agonistas de GLP-1 e tirzepatida. Essa lesão, considerada rara no nervo óptico, é semelhante a um "infarto" no vaso sanguíneo que alimenta o olho, e pode resultar em perda de visão súbita e irreversível.

As notificações no painel de farmacovigilância incluem pacientes tratados com Ozempic (5 ocorrências), Wegovy e suas variantes (5 ocorrências), Rybelsus (2 ocorrências) e Mounjaro (1 ocorrência). A Anvisa salienta que a simples notificação não implica em uma relação causal direta, tratando cada relato como um caso em investigação.

Pesquisa e Atualização de Informações em Bulas

O assunto ganhou atenção mundial após a publicação de um estudo na revista JAMA Ophthalmology, que revelou uma incidência de quatro a sete vezes maior do diagnóstico de Noia em usuários de semaglutida em comparação a indivíduos que usam outros tratamentos. No entanto, cientistas alertam sobre as limitações do estudo, dado que condições pré-existentes, como diabetes, podem prejudicar a circulação do nervo óptico.

  • Alterações em Bulas: A Anvisa, em junho de 2025, determinou a inclusão da Noia nas bulas de fármacos com semaglutida como uma reação adversa de ocorrência bastante rara.
  • Queixas Visuais: Além dos casos de Noia, há um total de 74 relatos de problemas visuais entre consumidores desses medicamentos, com destaque para casos de visão turva e diminuição temporária da acuidade visual.

Orientações de Especialistas e Respostas das Empresas

Profissionais da área médica e especialistas em oftalmologia afirmam que, em geral, o equilíbrio entre riscos e benefícios ainda é favorável para pacientes que legítimamente necessitam de tratamento para obesidade, diabetes tipo 2 ou hipertensão. Contudo, é aconselhado interromper o uso do remédio imediatamente caso ocorra perda súbita de visão e desaconselham seu uso para fins estéticos por quem não tem indicação médica.

  • Novo Nordisk: A empresa responsável pelo Ozempic, Wegovy e Rybelsus alegou que seus estudos clínicos com mais de 83 mil pacientes-ano não mostraram aumento na incidência da doença quando comparados a grupos controle, reforçando que a relação de segurança e benefício da semaglutida permanece positiva.
  • Eli Lilly: A fabricante do Mounjaro afirmou que está em constante monitoramento de todos os relatos de segurança e eventos adversos, mantendo comunicação ativa com as autoridades regulatórias ao redor do mundo.