Bactérias em sementes de trigo: inovação para bioinsumos

Estudos recentes indicam que bactérias aplicadas às sementes de trigo podem resultar em produtos biológicos inovadores, voltados à proteção da cultura contra uma infecção fúngica que prejudica a absorção de nutrientes nas plantações. Chamado de "escudo microbiológico", essa pesquisa da Embrapa, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo), demonstrou uma redução de aproximadamente 60% nos sintomas da podridão da raiz. Essas bactérias, que estão na linha de produtos da Embrapa, poderão ser licenciadas por empresas que desejam desenvolver produtos com base nesta pesquisa, aumentando as possibilidades de comercialização, como reportado pela Agência Fapesp nesta segunda-feira (28). Os achados promovem oportunidades para novos inoculantes biológicos que visam a proteção do trigo. Porém, ainda não há informações sobre custos de aplicação, retorno financeiro para os agricultores ou previsão de lançamento de um produto no mercado. A pesquisa, publicada na revista NPJ Biofilms and Microbiomes, destaca que o mecanismo de proteção das bactérias atua sem a erradicação do fungo Bipolaris sorokiniana, responsável pela doença. Os cientistas observaram que as bactérias reorganizam a comunidade de microrganismos ao redor das raízes, criando um ambiente favorável à defesa da planta. Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, afirmou: “Verificamos que o fungo permaneceu no solo em quantidades similares, tanto nas proximidades das plantas afetadas quanto nas saudáveis. A grande mudança foi na interação entre esses organismos.”
O estudo também apresenta a seleção de três espécies bacterianas a partir de pesquisa com variedades ancestrais e cultivares comerciais de trigo, com amostras originadas de variedades crioulas da Turquia e do Irã. Os resultados mostraram um eficaz controle do patógeno, além de um aumento significativo da biomassa das raízes, contribuindo para a restauração das "funções do microbioma associadas à proteção vegetal" e fortalecimento das plantas, conforme conclui a pesquisa. Para seguir a evolução das novas tecnologias, o próximo passo dos pesquisadores consiste em investigar quais substâncias produzidas pelas plantas sustentam essas bactérias benéficas e quais processos são ativados nessa interação. Os resultados desse experimento poderão direcionar o desenvolvimento de novos produtos para prevenção e controle de doenças agrícolas. O trabalho contou com apoio da FAPESP e envolveu a Embrapa Meio Ambiente, o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ambas da USP. *Informações obtidas de André Julião, da Agência FAPESP.