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Exportações do Brasil para os EUA registram queda de 12,2%

Redação · 11 de out. de 2026, 00:27
Exportações do Brasil para os EUA registram queda de 12,2%

As vendas de produtos brasileiros para o mercado dos Estados Unidos diminuíram 12,2% no intervalo de janeiro a julho de 2026, alcançando o total de US$ 21 bilhões, conforme dados da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio). Essa queda representa uma perda de cerca de US$ 2,9 bilhões em comparação com o mesmo período de 2025, atingindo a menor cifra das exportações para os EUA nos últimos três anos.

Os números fazem parte do novo Monitor do Comércio Brasil – Estados Unidos, que foi publicado pela Amcham Brasil com base nas estatísticas do Comexstat referentes a julho. A queda foi mais acentuada para os produtos sujeitos a tarifas altíssimas, que variam entre 25% e 37,5%, com algumas chegando até 50%. Os itens que sofreram com as sobretaxas mais altas apresentaram uma redução nas vendas de 31,5% no período, caindo de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, o que equivale a uma baixa de US$ 1,4 bilhão.

"Esses números refletem uma significativa desaceleração nas relações comerciais entre os dois países, especialmente nos produtos mais impactados pelas tarifas. Enquanto a situação tarifária se mantiver, é provável que as trocas comerciais diminuam, afetando negativamente ambas as economias", declarou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Em julho, as exportações brasileiras para os EUA foram de US$ 3,6 bilhões, representando uma queda de 5% em relação ao ano anterior. Este resultado interrompeu o crescimento das vendas registrado em junho, que foi o primeiro aumento desde agosto de 2025, quando as tarifas elevadas começaram a ser implementadas. Para os produtos que enfrentavam as maiores sobretaxas, a queda em julho foi ainda mais acentuada, atingindo 25,7%. Por outro lado, as vendas de produtos abrangidos pela Seção 232 tiveram um crescimento de 21,5%, com destaque para os itens de aço e alumínio.

Entre os produtos que mais perderam vendas ao longo do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas e fumo, além de granitos, torneiras e sucos de frutas. Produtos afetados pela Seção 232, como os semimanufaturados de ferro e aço também estão registrando retração. Quanto às importações, julho trouxe uma leve mudança: após siete meses de quedas contínuas, as importações brasileiras dos EUA subiram 0,6%, totalizando US$ 4,3 bilhões. Com a diminuição das exportações e importações praticamente inalteradas, o Brasil apresentou um déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos naquele mês. No total acumulado de janeiro a julho, o déficit comercial chegou a US$ 2,3 bilhões, um aumento de 122,3% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

O desempenho das exportações para os EUA é inferior ao crescimento das vendas brasileiras para outros mercados. Enquanto as exportações para os EUA caíram 12,2% entre janeiro e julho, a soma das exportações do Brasil aumentou 10,5%. Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás somente da China. Entre os dez produtos mais exportados para os EUA, quatro tiveram queda nas vendas nesse mercado, embora tenham se tornado mais populares em outras partes do mundo, como o petróleo bruto, que caiu 25,5% nas vendas aos EUA, componentes de ferro e aço com declínio de 11,1%, ferro-gusa com menos 7,9%, e celulose que viu uma queda de 5,3%. O estudo também evidencia um impacto significativo sobre os produtos com sobretaxas, onde cinco dos dez principais itens desse setor exportados pelo Brasil aos EUA apresentaram diminuição nas vendas acumuladas do ano.