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Mauro Cezar defende apostas e critica governo Lula

Redação · 20 de set. de 2026, 20:40
Mauro Cezar defende apostas e critica governo Lula

O jornalista Mauro Cezar Pereira, em um artigo publicado no UOL, defende as casas de apostas, argumentando que uma ação do governo para restringir esse setor poderia resultar em um "suicídio eleitoral" para o presidente Lula. O texto foi veiculado na última quinta-feira (17) e apresenta uma série de considerações fiscais, esportivas e sobre as consequências eleitorais que uma possível repressão poderia acarretar.

No entanto, Mauro Cezar falha em mencionar que, em abril, ele foi nomeado embaixador da empresa Vai de Bet. Naquela oportunidade, o jornalista explicou que já tinha uma parceria com a empresa, com projetos envolvendo competições esportivas. Esse vínculo fica evidente em lives recentes em seu canal, que estão associadas ao patrocínio da Vai de Bet.

Na visão do jornalista, uma regulamentação mais rígida ou uma proibição total poderia ameaçar cerca de R$ 1 bilhão em patrocínios anuais voltados para o futebol, além de provocar uma reação negativa por parte dos torcedores em relação a Lula. Segundo uma pesquisa realizada pela More in Common/Ipsos-Ipec, 68% da população brasileira apoia a proibição de patrocínios de casas de apostas a clubes, enquanto apenas 19% desejam que esses patrocínios continuem, dada a relevância financeira que trazem.

Os próprios torcedores também se manifestaram de forma contrária ao apoio dos clubes às casas de apostas, demonstrando preocupação com a situação.

A justificativa econômica apresentada por Mauro foca somente no retorno ao governo e aos clubes, sem considerar as perdas enfrentadas pelos apostadores. Dados do Ministério da Fazenda revelam que até agosto deste ano, 43,8 milhões de brasileiros já tinham feito apostas em plataformas, representando 27% da população adulta. No primeiro semestre deste ano, o prejuízo dos apostadores alcançou R$ 20,2 bilhões.

As previsões de Mauro Cezar sobre os possíveis efeitos de uma eventual restrição às apostas são contundentes. Ele finaliza afirmando que: “Com tantas grandes torcidas vendo seus times endividados e ainda mais enfraquecidos, não é difícil prever a reação de milhões deles diante da urna.”

Embora o jornalista tenha uma ligação comercial com o setor de apostas, o que não desqualifica automaticamente seus argumentos, essa situação gera um conflito de interesses que deveria ser revelado aos seus leitores, especialmente em um artigo que faz declarações categóricas sobre os impactos políticos e econômicos das medidas contra as apostas. Ao não incluir essa informação, ele apresenta um ponto de vista que pode ser interpretado como análise independente, embora também lhe beneficie diretamente.