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Previsão de safra de milho para 2026/27 é otimista

Redação · 16 de out. de 2026, 19:24
Previsão de safra de milho para 2026/27 é otimista

De acordo com os dados iniciais da Hedgepoint Global Markets, a produção de milho no Brasil deve alcançar um nível recorde na safra de 2026/27, com uma colheita estimada em 146,5 milhões de toneladas, um aumento de 3% em comparação à safra 2025/26 que terminou em julho. Entretanto, a demanda crescente pelo grão pode resultar em estoques inferiores e preços mais altos ao longo da temporada. O especialista Luiz Fernando Roque, da área de Inteligência de Mercado – Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint, destaca que a confirmação dessa previsão está atrelada às condições climáticas futuras. O incremento na produção deverá ocorrer devido à ampliação da área plantada, que se estima que aumentará de 22,3 milhões de hectares na safra anterior para 22,7 milhões na nova safra (+1,7%). Além disso, a produtividade média das lavouras deve crescer de 6.361 para 6.452 quilos por hectare (+1,4%), favorecida por possíveis melhorias nas safras de Goiás e Minas Gerais. A demanda por milho para a produção de etanol também deverá subir, passando de 29 milhões de toneladas em 2025/26 para 34 milhões em 2026/27 (+17%), impulsionada pela entrada de novas usinas em operação. O aumento na mistura obrigatória para E32, que deve vigorar provisoriamente a partir de 1º de agosto, contribui para o crescimento da produção, e a Hedgepoint prevê que essa nova porcentagem pode ser prorrogada por mais 180 dias, com a possibilidade de se tornar permanente no primeiro semestre de 2027. No que se refere às exportações, a expectativa é que essas cresçam para 41 milhões de toneladas em 2026/27, um aumento de 8% em relação aos 38 milhões da safra anterior. A Hedgepoint já havia reduzido a projeção para a safra atual devido a uma desaceleração nas remessas, impactadas por uma competição mais acirrada com a Argentina e pela diminuição da demanda do Irã, principal comprador do milho brasileiro em 2025. O estudo ainda revela que os volumes exportados em agosto e setembro de 2026 foram de 5,1 milhões e 5,4 milhões de toneladas, respectivamente, o que representa uma queda em relação aos mesmos meses de 2025. Se o conflito no Irã persistir, a consultoria alerta que isso pode prejudicar os volumes de exportação do Brasil e resultar em estoques maiores ao final da safra de 2025/26. Para 2026/27, a Hedgepoint prevê estoques finais de milho na casa de 12,6 milhões de toneladas, 14% a menos do que o previsto para a safra anterior. “Esse número, contudo, está sujeito à dinâmica das exportações, que podem ser influenciadas por questões geopolíticas e clima”, explica a consultoria. O preço do milho dependerá, portanto, desses fatores, com a Hedgepoint projetando estoques finais de 14,7 milhões de toneladas para 2025/26, representando um aumento de 20,5% em relação a 2024/25. A empresa ainda aponta que, apesar do cenário confortável de oferta e demanda no momento, há riscos de aumento de pressão sobre os valores do milho nos meses finais de 2026, dado o fraco ritmo de exportações que deve amplificar a oferta no mercado interno, pressionando os preços.