Fantástico refaz percurso até queda de helicóptero de Rick
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Programa revisita trajeto de resgate, utilizando tecnologia de ponta. Investigação busca entender os fatores que levaram à tragédia.
Por Fantástico 27/09/2026 20h31 Atualizado há 2 horas
- A equipe do programa Fantástico recriou o caminho do resgate até o ponto onde o helicóptero caiu, resultando na morte do cantor Rick e de mais quatro pessoas em Santa Catarina.
- A Polícia Científica está empregando drones e um scanner 3D para reconstruir o acidente e examinar os destroços em busca de pistas que expliquem o ocorrido.
- Durante as buscas, as equipes enfrentaram um terreno acidentado, lama e vegetação densa. Os destroços estavam em uma área de difícil acesso.
- Antes de decolar, a equipe demonstrou preocupação devido ao mau tempo. A Defesa Civil havia emitido um alerta para tempestades severas na região.
- Investigadores estão examinando a caixa-preta e as condições climáticas. Especialistas consideram a possibilidade de complicações relacionadas à meteorologia e erros humanos.
O programa Fantástico refazia o trajeto do resgate até o local do acidente que vitimou o cantor Rick e mais quatro passageiros. Imagens inéditas mostram os esforços em busca de evidências que possam esclarecer os últimos momentos do voo.
Cada pedaço encontrado na floresta pode responder a uma pergunta sem resposta: como um voo que durou menos de uma hora resultou na morte de cinco pessoas na Serra Catarinense?
Com o auxílio de drones e scanners 3D, a Polícia Científica está recriando a cena do acidente do Bell 430, registrado sob o prefixo PP-MGR. Os peritos estão reconstituindo virtualmente o local, onde as provas foram preservadas.
"Com as dimensões da aeronave, como o diâmetro do rotor e o comprimento da fuselagem, será possível realizar uma análise minuciosa e chegar a conclusões significativas," afirmou o perito Fernando Henrique Ponzetti.
As imagens demonstram a brutalidade do impacto. Do helicóptero, que tinha mais de quinze metros, restaram pouco mais de três. Cada fragmento é crucial para entender os momentos finais do voo.
"A aeronave se desintegrou ao colidir com o solo e, face à localização dos destroços, a probabilidade de encontrar sobreviventes era extremamente baixa," acrescentou Ponzetti.
Compreender a proporção dessa tragédia exige uma ascensão à serra, que envolve duas horas e meia de caminhada em terreno íngreme, coberto por vegetação a 1.700 metros de altitude. Dois dias após o acidente, na quinta-feira, a equipe refazia o caminho até a cena da colisão.
Um tenente do corpo de bombeiros relatou as dificuldades enfrentadas: "Durante as buscas, encontramos um relevo acidentado, inclinações severas, lama, banhados e muitos obstáculos pelo caminho".
Para localizar a aeronave, a equipe recebeu um alerta: "Fomos informados de uma possível aeronave desaparecida entre Urubici e São Joaquim às 16h25," narrou o comandante do corpo de bombeiros.
A complexidade dos primeiros passos da missão foi esclarecida pelo comandante: "Até aquele momento, não tínhamos certeza se se tratava de um pouso forçado ou se a aeronave havia desviado sua trajetória. Não havia clareza e, com a visibilidade reduzida, as dificuldades eram imensas. Mobilizamos nossas tropas ainda à noite e, na luz do dia seguinte, já estávamos com um contingente muito maior".
Na terça-feira, as investigações se concentraram em dois pontos críticos: o último sinal do celular, em Vacas Gordas, e o último sinal do helicóptero emitido em Santa Bárbara, uma das áreas mais altas da serra, a aproximadamente 50 km de São Joaquim.
Drones equipados com câmeras térmicas auxiliaram nas buscas pela vegetação. A operação envolveu bombeiros, militares, equipes da Defesa Civil e voluntários que trabalharam por mais de 20 horas.
Às 11h32, câmeras de segurança de propriedades rurais captaram o som da colisão. Ao chegar no local do desastre, os resgatistas procuravam por sinais de sobreviventes: "Alguém está vivo?". Ao se aproximar, um membro da equipe notou: "Estamos nos destroços aqui, o acesso é extremamente complicado".
O comandante dos bombeiros anunciou o término das buscas: "As equipes, que já estavam nas imediações, conseguiram acessar o local e, infelizmente, confirmar as cinco fatalidades".
Na aeronave estavam:
- O cantor Rick, da famosa dupla Rick e Renner;
- Bruno Avelar, empresário;
- Paulo Soares, produtor de vídeos;
- Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, piloto;
- Leopoldo Barros Teixeira, copiloto.
Informações sobre a aeronave
Fabricado em 2001, o Bell 430 tinha capacidade para até sete passageiros. De acordo com a ANAC, a documentação do helicóptero estava em ordem e ele possuía autorização para voos noturnos e por instrumentos.
O engenheiro aeronáutico Jorge Eduardo Leal Medeiros examinou as condições do voo: "Trata-se de um helicóptero de excelente qualidade, equipado com duas turbinas a jato, o que não sugere problemas mecânicos. Em regiões montanhosas, visibilidade pode ser precária, além de haver ventos fortes".
Segundo especialistas, o fenômeno conhecido como downdraft — corrente descendente — pode ter ocorrido ao descer pela encosta da montanha, empurrando a aeronave para baixo.
"É crucial saber: o piloto tinha consciência de sua localização? Ele possuía um GPS que mostrava sua posição?", questionou Medeiros.
Preocupações climáticas
Na cabine, estavam dois pilotos capacitados para conduzir o Bell 430. O comandante Antônio Roberto Nóbrega de Araújo havia acumulado quase seis mil horas de voo, atuando ao lado do copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Poucas horas antes de decolar, uma troca de mensagens revelou as preocupações da tripulação sobre o clima.
Às 6h59, o copiloto enviou uma mensagem para Juliano Luft, operador do aeroporto em Lages.
Juliano detalhou: "Às 7h52, enviei uma foto do tempo em Lages, que estava bom para voos". Ele alertou a tripulação: "Chuva mais tarde. Quanto antes virem, melhor".
Minutos depois, o comandante entrou em contato: "Ligou mencionando que conhecia a situação climática ruim para o destino e pediu fotos e vídeos das condições em Lages".
Naquela manhã, a Defesa Civil já tinha emitido um alerta de tempestade severa para a área de São Joaquim, prevendo granizo, ventos fortes e raios. "Já sabiam que uma frente fria estava se aproximando, e que já tinha chegado a Criciúma", disse Juliano Luft.
Após a decolagem, ele tentou novos contatos: "Às 11h17, mandei uma mensagem perguntando sobre o abastecimento em Lages, mas não obtive resposta".
Momentos antes da partida, Paulo Soares, um dos passageiros, fotografou o helicóptero em seu heliponto em Porto Belo e posteriormente compartilhou imagens da viagem nas redes sociais.
Moradores da área filmaram a passagem da aeronave, sem suspeitar do desastre que estava prestes a acontecer. "Ele decolou da montanha aqui atrás, em uma altura um pouco abaixo do normal", contou Rodrigo Afonso, um dos moradores.
A menos de três quilômetros do local acidentado, o artesão Israel Rosa também registrou a aeronave: "Nada parecia indicar uma pane. O barulho, a velocidade estavam normais".
Professor Jorge Eduardo Leal Medeiros reiterou a possibilidade de erro humano relacionado às condições climáticas: "O que pode ter acontecido é falha humana em função do mau tempo. A impressão que tenho é que a aeronave estava em posição errada, não parece que tentavam pousar, parece que colidiram durante o voo".
A JTA Empreendimentos, proprietária do helicóptero, iniciou estudos técnicos para a retirada dos destroços. Os investigadores continuam a buscar respostas na caixa-preta do Bell 430, enquanto a Polícia Científica trabalha para reconstruir cada detalhe do incidente.
Fernando Henrique Ponzetti comentou sobre o progresso dos exames: "Estamos comprometidos com a qualidade dos resultados. Devemos isso às famílias das cinco vítimas recuperadas".
Um tenente do corpo de bombeiros emocionou-se ao comentar o impacto do resgate: "Tentamos não deixar o sentimento nos dominar, ao ver mais uma vida perdida. É difícil, mas infelizmente essa é a realidade.",