Flamengo e Fluminense vão à Justiça contra liberação do Maracanã ao Vasco

A batalha pelo Maracanã se intensificou. O consórcio Fla-Flu Serviços S.A., encarregado da administração do estádio, anunciou planos de recorrer da sentença que permitiu ao Vasco realizar a partida contra o Boca Juniors no dia 20 de outubro, às 21h30 (horário de Brasília), durante a semifinal da Copa Sul-Americana. Em um comunicado oficial, a concessionária expressou desapreço pela interpretação do desembargador Marco Antônio Ibrahim, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), e afirmou que essa decisão fere seis determinações anteriores da Justiça, além de não se basear em novos argumentos que justifiquem essa mudança de entendimento. O consórcio também levantou preocupações sobre a condução do processo, ressaltando que a análise deveria ter sido feita pelo magistrado original e não por outro juiz. A administração do Maracanã enfatizou que essa troca de julgador compromete a segurança e a estabilidade das sentenças judiciais. Impactos no gramado e programação O Fla-Flu também ressaltou a necessidade de manter o estado do gramado, considerando o calendário de eventos já agendado para o estádio em outubro. Entre os dias 11 e 22, o Maracanã receberá cinco partidas: Flamengo vs Fluminense, Fluminense vs Palmeiras, Fluminense vs Santos, Vasco vs Boca Juniors e Flamengo vs Estudiantes. O consórcio destacou que a concentração de jogos limita o tempo disponível para a recuperação do campo e poderia afetar suas condições de uso. A concessionária reiterou que a recusa em ceder o estádio ao Vasco baseou-se em avaliações técnicas e não em rivalidades. No comunicado, foi denunciada a interpretação do juiz em priorizar a segurança pública em detrimento da conservação do campo: "Impor mais um jogo neste intervalo distorce o planejamento técnico do estádio e transfere as responsabilidades operacionais para nós, quando essa decisão é contrária aos pareceres técnicos apresentados." A Justiça também priorizou a segurança das torcidas A autorização para o uso do Maracanã foi concedida na última sexta-feira (9) após o Vasco apelar de uma decisão anterior. O desembargador Marco Antônio Ibrahim levou em consideração as avaliações da Polícia Militar e do Ministério Público do Rio de Janeiro que favoreciam a realização do jogo no estádio. Ele destacou que as preocupações sobre a segurança dos torcedores e dos habitantes locais deveriam vir antes das questões relacionadas à preservação do gramado. Além disso, o juiz observou o histórico de recusas da concessionária quanto aos pedidos do Vasco. Antes da decisão, a Polícia Militar já havia indicado o Maracanã como uma opção apropriada para a partida, embora o estádio Nilton Santos também tivesse sido cogitado. Com a nova apelação, o consórcio planeja reverter a decisão judicial. "A Concessionária tomará todas as medidas legais necessárias e está confiante de que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro restaurará a lógica dos julgamentos anteriores e corrigirá o erro jurídico encontrado", conclui a nota. Ingressos a todo vapor Paralelamente, o Vasco deu início à venda de ingressos para a partida contra o Boca Juniors, com mais de 35 mil bilhetes vendidos até o momento. Confira a íntegra do comunicado do consórcio. A contribuição de múltiplas decisões judiciais: O consórcio Fla-Flu Serviços S.A. manifestou perplexidade diante da recente decisão do Desembargador Marco Antonio Ibrahim, que rompeu com a regra anteriormente aplicada pela Justiça, determinando a disponibilidade do Maracanã para o embate entre Vasco da Gama SAF, em recuperação judicial, e Boca Juniors na CONMEBOL Sudamericana, no dia 20 de outubro. Para a concessionária, tal decisão é não apenas contraditória às evidências contidas no processo, mas também carece de novos fundamentos que justificassem esse novo rumo, especialmente em comparação às seis decisões previamente favoráveis à sua posição. A mudança de relator no caso também levanta preocupações, dado que a segurança jurídica e a previsibilidade nas decisões são princípios essenciais. A própria avaliação técnica sobre o gramado e a segurança, corroboradas pela Polícia Militar, foram desconsideradas em favor de meras suposições acerca de desavenças pessoais. A administração do Maracanã revelou que o cronograma já sobrecarregado, com cinco jogos no intervalo de 12 dias, pode afetar diretamente o estado do gramado. A imposição de mais um jogo nesse intervalo não faz nada além de prejudicar os esforços de preservação do campo. A Comunicação da Fla-Flu Serviços reafirma seu compromisso de gerenciar e cuidar de um dos principais patrimônios esportivos do Brasil, mas destaca que decisões judiciais, levando em conta suas alegações sem fundamento, comprometem esse objetivo. A Pós-justiça traz à tona o questionamento sobre valores fundamentais para o sistema judiciário, como a estabilidade e a segurança jurídica. O consórcio reafirma que tomará as medidas adequadas para restaurar a justiça e a lógica anteriormente estabelecidas.